quarta-feira, 27 de julho de 2016

Um tempo que não existe mais

Ouvindo uma palestra de Leandro Karnal. E nessa palestra comentou sobre Zygmunt Bauman, um sociólogo e professor da London School of Economics, um intelectual muito respeitado que publicou no livro Amor Líquido, a ideia de mundo liquido. Onde as relações terminam de maneira muito rápida, como se o mundo estivesse em um processo liquidez. E observando esses aspectos e obviamente me baseando nos comentários de Karnal, passei a analisar tudo ao meu redor.
Observando meu filho mais velhos, vejo que fui educado e preparado para um tempo em que não existe mais. E que o tempo que era meu, onde teria a idade que ele tem hoje, muitas coisas inclusive, coisas como a casa onde fui criado, ou vivi meus primeiros 5 anos de vida, em Guaianazes, um lugar chamado Vila Nanci, não existe mais. O prédio onde brincava entre os meus 10 e 15 anos de idade, também não existem mais. E tenho certeza que se sair voltando aos lugares por onde passei, certamente algumas construções já não existem mais.
A evolução social e a construção de novas ferramentas, fazem parte do processo de desintegração ou desconstrução do que foi criado ou aprendido para que se crie algo novo. Esse algo novo entra de maneira tão simbiótica em nossas vidas, que não percebemos como esse processo vai ocorrendo. As pessoas com dificuldades naturais a adaptação desse contexto, entram em um processo de depressão inconsciente, e começam a reclamar da solidão em que estão vivendo. Porque foram criadas e educadas para um mundo sinestésico.
Posso me equivocar, mas tenho observado que a maioria das pessoas que reclamam das ferramentas da internet e do uso acentuado dos smartphones, geralmente, usam o termo: “no meu tempo”. Senão usam esse termo defender que o uso é um isolamento cibernético. Do meu ponto de vista, essas pessoas geralmente não tem a percepção de que se trata de um nível de relacionamento que mescla, o virtual como o real de maneira tão simbiótica, que essas adaptações fazem com que o indivíduo que faz uso de um game (como exemplo) e joga com outras pessoas no mundo cibernético tem no seu contexto a mesma sensação que uma pessoa tem ao perceber que alguém que gosta muito chegou a sala ou ao jogo, sem se importar se é real ou virtual.  Algo como: “Manooo, o Eslavok chegou. Agora vamos virar esse jogo”.
Se pudéssemos observar as sensações hormonais dessas pessoas, eu tenho certeza que são as mesmas, talvez com baixa taxa de diferença entre o real e o virtual. Mas seriam as mesmas. É a adaptabilidade desse mundo novo.
Eu fui preparado para um mundo onde a máquina de datilografar, era o primeiro dispositivo na formação para inclusão de um indivíduo no mercado de trabalho, algo que hoje não existe mais. Fui preparado para um mundo sinestésico, onde as relações interpessoais eram mais importantes que um e-mail, um vídeo ou um like no facebook. E olha que me lembro do Orkut. Tudo transacionou de maneira tão rápida que nem percebi que o mundo para o qual fui preparado se desintegrou dando nova forma ao mundo que estamos hoje. Há um processo constante de desintegração de mundos e criações de novos na linha do tempo, tal qual a percepção que se tem do seu timeline no facebook.
Analisando por esse contexto, esse texto já se liquefez-se no momento em que você o terminou de ler. Essa é a velocidade do mundo...

domingo, 17 de julho de 2016

Compromisso ético das organizações esportivas

Certamente que isso não deve incomodar você ou se o incomoda, vou me sentir feliz porque não estou só em meu raciocínio. Mas vejo, sob o ponto de vista ético, que organizações como FIFA e COI não tem ou ao menos, não teve o menor compromisso ético com o Brasil.

Eles sabiam dos problemas sociais brasileiros e das condições sociais e políticas do país, bem como, todos os seus problemas de corrupção. Do ponto de vista ético, deveriam cancelar suas respectivas participações nesse cenário, simplesmente cancelando a execução da Copa do Mundo e da Olimpíadas.

Seguindo esse princípio, o COI é o pior de todos eles. Pois sabendo dos elementos já julgados e dos problemas financeiros do Rio de Janeiro, onde os servidores públicos estão com problemas financeiros provocados pelo descontrole do estado, insistiram na execução das Olimpíadas.

Não é ético em hipótese alguma, do meu ponto de vista, insistir na execução dessa “abençoada” festa nas condições pelas quais o país passa, pelas quais o Estado do Rio de Janeiro passa. É de um descompromisso total com a ética, principalmente tendo conhecimentos dos problemas de corrupção que temos no pais.

Você pode não fazer parte do processo corrupto do país, no caso o COI, não tem culpa disso. O COI não faz parte da sociedade brasileira. Não tem nossa formação ética elástica que é incapaz de dizer um simples “Não”, trocando por um “Vamos ver”. Mas corroborou muito quando tem conhecimento dos problemas e sabe que será usado como ferramenta para impulsionar, como catalizador do processo corruptivo.

Não vejo por parte dessas organizações nenhum compromisso com a ética, com os problemas sociais e políticos do pais, apenas com seus próprios interesses financeiros.
Tenho certeza que você (já que o processo de leitura, caso não o esteja fazendo em voz alta, é individual) deve estar pensando da minha “ingenuidade” em cobrar pela ética de tais organizações. Principalmente quando acredita que questões financeiras nem sempre estarão a ser pautadas pela ética. Do meu ponto de vista foram e continuam sendo levianos ou nós imbecis.