sábado, 12 de novembro de 2016

O Sonho e o sonhador (em cordel)

Pessoas que quiseram tudo
E não quiseram nada
No tudo que faziam, de fato, nada faziam
Descobri que elas sonhavam
Ainda hoje as vejo sonhar
Se esquecendo que o tempo está passando
Hoje são velhos
Velhos que continuam acreditando
Acreditando que são crianças
Vivem cheios de esperança
Uma esperança vazia que só neles cabem
Feliz de vê-los
Deixe-os contentes
Sigo eu consciente vem que eles são dementes
Mas seguem feliz e contente
Vamos então... sem nunca ser sábio
Seguindo esses lacaios
Feliz e contente
No final dessa vida quem sabe
Que quem sonhava era eu
Eles não mais que desejaram
Era simplesmente brincar
Brincadeira de desejar e sonhar
Me fazendo acreditar
Que quem sonhavam eram eles
E que no sonho de fato
Quem sonhava era eu.


quarta-feira, 27 de julho de 2016

Um tempo que não existe mais

Ouvindo uma palestra de Leandro Karnal. E nessa palestra comentou sobre Zygmunt Bauman, um sociólogo e professor da London School of Economics, um intelectual muito respeitado que publicou no livro Amor Líquido, a ideia de mundo liquido. Onde as relações terminam de maneira muito rápida, como se o mundo estivesse em um processo liquidez. E observando esses aspectos e obviamente me baseando nos comentários de Karnal, passei a analisar tudo ao meu redor.
Observando meu filho mais velhos, vejo que fui educado e preparado para um tempo em que não existe mais. E que o tempo que era meu, onde teria a idade que ele tem hoje, muitas coisas inclusive, coisas como a casa onde fui criado, ou vivi meus primeiros 5 anos de vida, em Guaianazes, um lugar chamado Vila Nanci, não existe mais. O prédio onde brincava entre os meus 10 e 15 anos de idade, também não existem mais. E tenho certeza que se sair voltando aos lugares por onde passei, certamente algumas construções já não existem mais.
A evolução social e a construção de novas ferramentas, fazem parte do processo de desintegração ou desconstrução do que foi criado ou aprendido para que se crie algo novo. Esse algo novo entra de maneira tão simbiótica em nossas vidas, que não percebemos como esse processo vai ocorrendo. As pessoas com dificuldades naturais a adaptação desse contexto, entram em um processo de depressão inconsciente, e começam a reclamar da solidão em que estão vivendo. Porque foram criadas e educadas para um mundo sinestésico.
Posso me equivocar, mas tenho observado que a maioria das pessoas que reclamam das ferramentas da internet e do uso acentuado dos smartphones, geralmente, usam o termo: “no meu tempo”. Senão usam esse termo defender que o uso é um isolamento cibernético. Do meu ponto de vista, essas pessoas geralmente não tem a percepção de que se trata de um nível de relacionamento que mescla, o virtual como o real de maneira tão simbiótica, que essas adaptações fazem com que o indivíduo que faz uso de um game (como exemplo) e joga com outras pessoas no mundo cibernético tem no seu contexto a mesma sensação que uma pessoa tem ao perceber que alguém que gosta muito chegou a sala ou ao jogo, sem se importar se é real ou virtual.  Algo como: “Manooo, o Eslavok chegou. Agora vamos virar esse jogo”.
Se pudéssemos observar as sensações hormonais dessas pessoas, eu tenho certeza que são as mesmas, talvez com baixa taxa de diferença entre o real e o virtual. Mas seriam as mesmas. É a adaptabilidade desse mundo novo.
Eu fui preparado para um mundo onde a máquina de datilografar, era o primeiro dispositivo na formação para inclusão de um indivíduo no mercado de trabalho, algo que hoje não existe mais. Fui preparado para um mundo sinestésico, onde as relações interpessoais eram mais importantes que um e-mail, um vídeo ou um like no facebook. E olha que me lembro do Orkut. Tudo transacionou de maneira tão rápida que nem percebi que o mundo para o qual fui preparado se desintegrou dando nova forma ao mundo que estamos hoje. Há um processo constante de desintegração de mundos e criações de novos na linha do tempo, tal qual a percepção que se tem do seu timeline no facebook.
Analisando por esse contexto, esse texto já se liquefez-se no momento em que você o terminou de ler. Essa é a velocidade do mundo...

domingo, 17 de julho de 2016

Compromisso ético das organizações esportivas

Certamente que isso não deve incomodar você ou se o incomoda, vou me sentir feliz porque não estou só em meu raciocínio. Mas vejo, sob o ponto de vista ético, que organizações como FIFA e COI não tem ou ao menos, não teve o menor compromisso ético com o Brasil.

Eles sabiam dos problemas sociais brasileiros e das condições sociais e políticas do país, bem como, todos os seus problemas de corrupção. Do ponto de vista ético, deveriam cancelar suas respectivas participações nesse cenário, simplesmente cancelando a execução da Copa do Mundo e da Olimpíadas.

Seguindo esse princípio, o COI é o pior de todos eles. Pois sabendo dos elementos já julgados e dos problemas financeiros do Rio de Janeiro, onde os servidores públicos estão com problemas financeiros provocados pelo descontrole do estado, insistiram na execução das Olimpíadas.

Não é ético em hipótese alguma, do meu ponto de vista, insistir na execução dessa “abençoada” festa nas condições pelas quais o país passa, pelas quais o Estado do Rio de Janeiro passa. É de um descompromisso total com a ética, principalmente tendo conhecimentos dos problemas de corrupção que temos no pais.

Você pode não fazer parte do processo corrupto do país, no caso o COI, não tem culpa disso. O COI não faz parte da sociedade brasileira. Não tem nossa formação ética elástica que é incapaz de dizer um simples “Não”, trocando por um “Vamos ver”. Mas corroborou muito quando tem conhecimento dos problemas e sabe que será usado como ferramenta para impulsionar, como catalizador do processo corruptivo.

Não vejo por parte dessas organizações nenhum compromisso com a ética, com os problemas sociais e políticos do pais, apenas com seus próprios interesses financeiros.
Tenho certeza que você (já que o processo de leitura, caso não o esteja fazendo em voz alta, é individual) deve estar pensando da minha “ingenuidade” em cobrar pela ética de tais organizações. Principalmente quando acredita que questões financeiras nem sempre estarão a ser pautadas pela ética. Do meu ponto de vista foram e continuam sendo levianos ou nós imbecis.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

O erro e punição

Estava tomando um café no shopping. Aquele que tomamos para estender uma conversar após o almoço. E me vi em meio ao tema: o erro e punição. E falai para meu interlocutor que escreveria sobre o assunto... e aqui estou!
As vezes encontramos pessoas com tanto medo de errar que perguntamos: Por quê?
Muitas vezes nem entendemos porque tanto medo de errar.
Eu penso que vai muito do perfil da liderança a qual essa pessoa pertence. Muita vez tem conhecimento de como fazer e o mais importante: experiência para fazer determina atividade. E não faz por puro medo. A pessoa prefere ficar “na dela” do que se expor e acontecer algo durante a atividade e ser punido.
Quando se é jovem nessa posição, não faz ideia do erro que está cometendo, afinal: Não correr riscos, não se apresentar a fazer algo que conhece é dizer “não” as possibilidades de se desenvolver uma carreira. É ver os anos passando ao lado, seus amigos, parentes, parceiros, todos evoluindo. E o jovem por fim, vai ficando velho e se passando um, dois, três... quatro... vários anos. Na mesma posição. E quando acorda para fazer algo, descobre que o tempo passou e terá que se esforçar, obviamente se der tempo, para correr atrás do prejuízo.
O meu ponto de vista, o erro não deve ser punido, mas sim corrigido. Não se pune porque errou. Se algo der errado, após você executar uma ação com cuidado, com conhecimento, ou está sendo assistido na ação. Isso não pode ser chamado de erro. É um incidente. É algo que pode acontecer. Afinal, como diz meu filho “Só pisa no pé da dama quem dança”. E preciso aprender a dançar para não continuar pisando. Ou seja, errando. É preciso corrigir.
O que deve ser punido é a negligência, a falta de cuidado, a displicência, falta de atenção. Isso sim. Deve ser punido. Principalmente o erro consciente. Saber que vai dar errado e porque foi submetido a um desafeto, faz por pirraça, sabendo que vai dar errado só para afirmar “Não falei”. Pura infantilidade. Nesses casos, do meu ponto de vista, cabe a punição e não há o que corrigir. Foi erro mesmo.
Como afirma, o filosofo Mario Sergio Cortella: “Não havia inovação na vida se o erro não tivesse o seu lugar”. E por ele mesmo, “Nós aprendemos com a correção dos erros”.
Se você punir todas as vezes que “erram”, está desenvolvendo uma linha de autômatos que executam as atividades, mas não emitem opinião alguma a respeito delas, por medo de errar. Ou seria por medo serem punidos?

#Pense

domingo, 7 de fevereiro de 2016

O Convicto

Se deparar com pessoas convictas é algo que pode surpreendê-lo de maneira positiva ou negativa. Mas uma pessoa do bem e convicta é muito melhor que uma pessoa que se diz do mal e de forma convicta.
Conta um amigo que ao longo de sua vida profissional, se deparou com um sujeito dessa linha, convicto de que era mal e convincente de fato.
Eles saiam juntos para almoçar ou comer alguma coisa. E nessas situações que ele percebia a forma como o indivíduo agia de forma convicta.
Foram a um local onde a pessoa se servia e pagava ao final dizendo o que havia comido. O infeliz chegava no caixa e de forma convicta, sem pestanejar dizia:
- Comi: 2 cochinhas, 1 quibe, 2 croquetes e tomei um suco.
O caixa observando a forma “convicta” com que falava, não tinha dúvida com respeito à segurança passada que cobra exatamente o que foi falado, afinal não havia como confirmar se havia comido ou não. Mas ele sabia que havia comido o dobro e as vezes até mais que isso...
Esse meu amigo em começo de carreira, sentia segurança no que o infeliz falava exatamente pela convicção com que falava as coisas. É o tipo malandro inteligente, que tinha conhecimento sobre as fragilidades humanas.
Certa vez, meu amigo, estava escrevendo um texto em inglês e precisava escrever a palavra: virgula em inglês (comma). Virou-se para o infeliz e perguntou:
- Como se escreve virgula em inglês, mesmo?
Respondeu com a costumeira convicção:
- Virgil.
Convicto que havia recebido a resposta correta, colocou no texto. E enviou. Recebeu de volta uma negativa ao que havia escrito, decidiu verificar. Quando percebeu que haviam lhe informado de maneira erronia o significado da palavra virgula.
Depois desse dia, passou a observar o “Convicto” e descobriu as outras mazelas do infeliz. E passou a verificar sempre que lhe contam algo com “convicção”.
Infelizmente, esse é um comportamento inerente ao ser humano que só faz prejudicar o convívio social. É algo muito comum na sociedade brasileira. E uma das coisas mais desagradáveis são os “convictos” como uma certa pessoa que tem apenas quatro dedos na mão esquerdo é que “nunca na história desse país” foi tão “convicto”!

Fique à vontade para deixar seus comentários e obrigado por ler meu blog.
Até me próximo texto!

domingo, 17 de janeiro de 2016

Ficha de consumação psicografada

Não tenha dúvida que algumas coisas só acontecerão na sua vida por que você tem amigos. Ainda mais amigos que cresceram juntos a você e não perderam a “criança interior” e sabem brincar como se o tempo não tivesse passado.
Conheço pessoas que são assim. Tem amigos antigos, amigos que permitem memoráveis “sacanagens”, sem duplo sentido.
Contou um deles assim...
Tenho um amigo que é muito sacana. Todas as vezes que saímos pra balada, ele fica pedindo que você compre as coisas pra ele. Sempre foi assim.
Somos uma turma de amigos que cresceu juntos e não tem jeito. Sempre... Sempre... Sempre... O cara vem com algo do tipo: Esqueci meu cartão, meu cartão foi bloqueado, paga ai que depois eu faço a sua.
Não faz muito tempo, todo mundo foi na balada e dele deixou a comanda saindo da calça. Um dos meus amigos foi lá e pegou a comanda sem ele ver.
Sentamos todos na mesa e mal deu tempo de esquentar a cadeira, já saiu pedindo:
- Paga uma bebida ai pra mim?!
O camarada que estava com a comando, falou:
- Claro! Pode pedir o que você quiser! Tudo que quiser...
- Oh! Legal! Eu tô com essa mina aqui e posso pedir para ela também?!
- Claro! Pode pedir o que você quiser. Hoje pago tudo!
O cara ficou feliz pra caramba e não estava acreditando que o camarada estava pagando tudo. Todos consumiram e marcaram na mesma comanda. Ou seja, na comanda dele.
Perto da hora de ir embora, foram saindo um a um. E o camarada que estava com a comanda “dele” colocou de volta no bolso dele, sem que percebesse. Aproveitou o momento e saiu. Ficaram todos lá fora na balada esperando.
Ele foi pro caixa. Quando o caixa apresentou a conta, ele falou:
- Mas... eu consumi tudo isso não!
Quando começaram a bater a conta... ele foi se dando conta de que tudo que estava na comanda, fazia parte do que ele havia consumido.
O valor da conta ficou alto. E pra variar, ele não tinha dinheiro. Pra resolver o problema, a menina que estava com ele teve que pagar a conta.
Como temos um grupo de whatsapp com todos os amigos, começamos a pesar nele tirando um barato do ocorrido.
Fico imaginando ele pensando...
- Caramba! Não é possível psicografaram minha comanda?! Não gastei nada disso...

Bom... E foi isso que me contaram. E como gosto de contar histórias, essa mais uma das histórias que me contaram.
Fique à vontade para deixar seus comentários, obrigado por ler meu blog e até meu próximo texto!

(Ouça o texto no vídeo ao lado)

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Carta para mim aos 15 anos de idade

Oi Adalberto!
Tenho certeza que apesar das muitas dúvidas que vão a sua cabeça agora, olhando para seu interior vai perceber que está bem. Então nem vou fazer a pergunta padrão de início de cartas como “- Tudo bem? ”. Como você é otimista vai me devolver sem dúvida alguma: Tudo bem.
Você nem faz ideia que um dia encontrará uma pessoa sensacional e que é hoje a mãe de um filho seu, muito lindo, chamado Leonardo. Ele tem outros dois irmãos: A Caroline e o William. Acho que você deve estar pensando: - Nossa! Vou ter três filhos!
É verdade você terá três filhos, sim. Só que dois com uma mãe maravilhosa, tipo leoa, a mamãe do William e da Carolina. E outro com essa pessoa sensacional, mãe do Leonardo. Por aqui, você já percebe que sua vida amorosa será um pouco tumultuada. Haverá outras tentativas e amores até que cheguemos aqui.
Essa timidez que você está sentindo agora vai passar. Esse seu sentimento em relação a esses movimentos sobre negros, brancos, funk de branco, funk de preto e até mesmo preconceito em relação a sua cor e o fato de seus amigos acharem que você só namora com as “branquinhas”... Tudo isso você vai passar lotado. Afinal você nunca se ligou ou se apegou muito nisso. Meu conselho: Segue assim. Aceite os presentes bons que te derem e aos ruins, deixe-os onde estão. E esses assuntos sobre racismo sempre estarão em discussão... é o ser humano. Siga em frente.
Eu tento lembrar de como você é aí com 15 anos, mas confesso que lembro muito pouco. Talvez porque até aqui a vida foi e continua corrida.
E como todo ser humano, você vai carregar algumas desilusões. E só vai conseguir se livrar delas com ajuda de terapias.
Seus maiores acertos serão seus filhos, porque você vai descobrir que sua vida seria completamente vazia sem eles.
Eu gostaria de te dar as datas em que coisas desagradáveis acontecerá em sua vida e até te passar os 13 pontos da loteca ou mesmo os seis números do prêmio da mega sena, que será criada quando você tiver 43 anos de idade. Mas mesmo que eu pudesse, não faria.
Você vai chorar algumas vezes. E como é muito sentimental, vai chorar muito. E muitos nunca saberão o motivo pelo qual você tenha chorado.
Aceite mais rápido a condição do nosso velho. Ele não vai ser a pessoa culta que você está desejando que seja. Ele é assim mesmo, um verdadeiro “ogro pernambucano”, machista e ignorante. E apesar de tudo isso, vamos amar muito esse velho.
E quanto a nossa mãe. Você acha ela lenta, muito devagar, lerda mesmo. Aceite ela assim. É ela assim mesmo devagar e sempre. Sempre rindo.
Meu conselho, aprenda a aceitar mais rápido as pessoas como elas são.  E aquelas que não gostar, não as odeiem... isso afeta seu julgamento. Quanto mais rápido aceitar e não odiar, maior suas chances de conhecer novas pessoas e fazer novos amigos.
Pegue mais leve com as pessoas, sua mania de fazer críticas duras e algumas vezes achar que é o dono da verdade, vai levar você a carregar alguns inimigos e pessoas que o definirão como arrogante e por vezes, ignorante. Seja mais leve, sorria mais, brinque mais. Chegar aqui pra perceber que deveria ter sido assim é um tanto quanto dolorido. Aproveite e fique com esse conselho em sua mente. Esse é um daqueles que vai ajudar você a carregar um tesouro inestimável por toda vida.
E por fim. Aprenda a conservar seus amigos, eles farão falta aqui. Aprenda a conviver com eles, estar próximo deles e viajar com eles. Você é muito seletivo e isso te prejudica porque faz julgamentos antes de permitir a proximidade. Aceite mais e abrace mais.
Meu conselho pra você é que procure conservar seus amigos. Todos seus amigos de infância, amigos que compartilham aí com você seu dia-a-dia, serão tesouros incríveis. E se você conseguir trazer todos com você. Vai ser muito feliz. Seus amores passaram, mas seus amigos sempre serão. Você só precisa ser feliz e trazer eles com você.
Ahhh! Sim! E quando sua filha Caroline for colocar o prego na tomada, não deixe ela fazer isso. Vai machucar o dedinho dela. E você vai se arrepender muito por ter deixado, com a pretensa ideia de que ela vai aprender com isso. É fato: Ela vai aprender. A marca no dedinho dela vai sair, mais no seu coração vai ficar para sempre.
Eu gostaria de te dizer que tudo foi muito legal e continua sendo legal. Viver vale apena. E temos muito por fazer.

Aproveite e se divirta.