segunda-feira, 27 de abril de 2015

O engano da lembrança

Quando um relacionamento termina ou mesmo você se afasta de uma pessoa, não importando o motivo: A pessoa foi morar em outro país, ou cidade. Algo acontece de maneira que se perde o contato com a pessoa. Os relacionamentos são os melhores exemplos para ser usando sobre o raciocínio que pretendo abordar.

Em um relacionamento se convive horas, dias, semanas, meses, anos com uma pessoa, de forma que passa não apenas a compartilhar o convívio, mas também sua memória, seus desejos, seu tempo. Em fim sua vida. Ocorre um processo, que diria seria uma simbiose, talvez nem tanto assim. Você pensa nela e ela pensa em você a respeito das coisas que fazem ou farão. É assim.

Quando o relacionamento acaba, não importa o motivo, a pessoa não sai de você de uma hora pra outra. Não funciona como nos filmes. Acabou, desligou.

Mesmo que você nutra raiva, ou ódio pela pessoa, quando toda essa energia ruim passar, volta as lembranças boas e o sentimento simbiótico retorna, mesmo que você não queira e mesmo sentindo ódio da pessoa. É o sentimento humano que prevalece, não tem jeito. Se você é uma pessoa esclarecida, desprovida da capacidade de odiar, seja qual for a intensidade, não tem jeito. Voltará a pensar na pessoa.

Em uma situação como essa, a pessoa fica em uma posição no tempo, que é: exatamente onde você à viu pela última vez. É ali, exatamente naquele último olhar, naquela última presença, que a pessoa fica. Devido a essa condição, o termino de um relacionamento é visto como um “corte no tempo”, no tempo de convívio com a pessoa.

A forma física da pessoa e tudo ficam exatamente naquele instante do tempo. Se você vier a se lembrar da pessoa, irá se lembrar dela com aquela fisionomia, com aquela característica. Não importa quanto tempo passe, você sempre se lembrará da pessoa com aquela forma.

O mesmo ocorre quando você trabalhar muitos anos em uma empresa e de repente acabou seu tempo de serviço na empresa, seja por ter sido mandado embora, seja por ter que se aposentar, não importa o motivo. Naquele momento há uma ruptura.

E tudo fica exatamente na posição em que o tempo deixou. Você leva consigo a lembrança, mas sabe que ela não envelhecerá, mas as pessoas que passaram ou a pessoa com quem você dividiu aquele tempo de vida, envelhecerá.

É nisso que a lembrança é enganosa. Hoje em dia, apesar das redes sócias poderem manter o rosto de algumas pessoas atualizados e por um processo mágico, sua mente tenta atualizar as lembranças, as emoções não serão atualizadas. Por um simples motivo: Não há como fazer isso, por sem um momento único. Um momento que pode ser capturado por algumas fotos e lido pela emoção dos que viveram aquele momento. Mas jamais será a mesma coisa.

Se você voltar em suas lembranças vai ver que isso de fato acontece. Me lembro com perfeição da última vez que vi meu Velho Pai antes dele partir. E o tempo dele congelou para mim exatamente naquele momento. Sei que hoje ele estaria mais velho e não teria a aparência das minhas lembranças, talvez nem o sorriso que vi pela última vez, poderia estar cansado e talvez não tivesse o mesmo jeito ou a mesma tonalidade.

E assim, acontece com seus relacionamentos: A lembrança é doce ou amarga, mas é enganosa porque fica no tempo onde sua memória a capturou. É um momento no tempo e não o acompanha. Tenho certeza que talvez você nunca tenha pensado dessa maneira. Mas se já pensou alguma vez, fique à vontade para deixar seu comentário.
Muito Obrigado por ler Meu Blog e até me próximo texto!

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