segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Coisas que não entendo

Há coisas que não entendo e sinceramente por mais esforço que faça não vou conseguir entender.  Ou é maldade demais ou é falta de percepção do sentimento alheio.  O fato é que a convivência trás bem pra perto os verdadeiros sentimentos, mas quando não se sabe o que levou a tal comportamento é melhor contar e você decide o que de fato é.
Viajar e contar histórias são coisas que gosto de fazer. E por vezes viajando ao longo também ouvimos histórias. Logo se ouve um historia e se achar interessante se escreve a historia. É o caso dessa história que vou contar. Peguei em uma viagem que fiz e no caminho foram me contando. A pessoa quem me contou mostrou um sentimento tão doido de coisa que se perdeu e sabe que não se pode voltar, mesmo que existam recompensas, aquele tempo não mais será recuperado.
Engraçado como a vida nos força a olhar pra trás e infelizmente com algum pesar.
Olhando para trás, medindo o tempo que passou se viu olhando para uma menina que agora próximo dos seus 10 anos, se acordou para uma realidade doída. Em um comentário simples: “Não vi nenhuma festa dela quando bebê...”.
Depois do comentário o rosto mudou a forma, deixam a marca da dor na alma. A lágrima não caiu porque como navalha cortou a alma por dentro.
Contou que um de seus irmãos depois de casado passou a morar distante. Casou-se com uma mulher que não é muito chegada a família dele.  Sendo assim, as festas de natal, ano novo eram passadas no isolamento do casal, como se a famílias não existissem para eles. Como eles por si se bastassem.
Passaram se anos, quando o casal resolveu ter um bebê. Todos ficaram felizes e acreditaram que seria diferente dessa vez, que se aproximariam. A matriarca com experiência de vida foi categórica em afirmar que não mudariam não. Conhecia a esposa que o filho havia arrumado e que se fosse pra ele ser feliz que ficasse assim mesmo. Não deu outro: Sua previsão se confirmou.
E assim se foi por anos... Ano novo uma passada para cumprimentar. Natal no dia seguinte e quando não dois dias depois do natal e do ano novo. E tudo se segue como previsto pela matriarca.
Quando a criança entrou na escola e começou a fazer suas apresentações anuais, pensaram que mudaria que seriam chamados para ver o bebê participando das cerimônias, mas a matriarca não havia errado nem nisso. Assim seguindo a rotina da felicidade, na linha de não incomodar ninguém, a vida seguiu em frente.
Nas reuniões familiares sempre que o assunto se declinava para o assunto, a própria matriarca para proteger seu filho do desagravo mudava o assunto. Como se acreditando que poderá fazê-lo para sempre... Ou até quando puder.
Sendo a família composta por mais irmãos, um deles convidou a todos para participar de uma apresentação de uma das filhas. Compraram os convites e foram todos a festa.
Por uma coincidência do destino, que tem essa mania de usar essa palavra, no dia da festa, na mesma hora, estava lá a filha do outro irmão. Ficou surpreso ao ver todos ali, pois não sabia que todos iriam. Ficou um sentimento gostoso, como se tudo fora programado com antecedência, como se todos houvessem comprado os ingressos com a plena certeza que todos confraternizariam aquele momento. E assim o foi.
Não houve um único comentário a respeito do que acontecera. Todos se cumprimentaram como se não de estranho estivera acontecendo e assim curtiram a festa.
Por um momento, a janela do passado foi aberta para aquele momento presente e se sentiram felizes. Se esqueceram de tudo o que havia acontecido até aquele momento. Ficaram felizes como tivera participado de todas as festas ao longo de todos aqueles 10 anos.
Passado o momento da festa e todos voltando pra casa, se pegou a pensar. E fez a si o comentário que deu origem ao texto e ao meu silêncio diante da pessoa.
Em um comentário simples: “Não vi nenhuma festa dela quando bebê...”.
Não sabia o que falar...
Muito Obrigado por ler Meu Blog e até me próximo texto!

2 comentários:

  1. Nossa! Que história linda e triste ao mesmo tempo.

    Vejo pela familia dos meus pais. Poucos irmãos e ainda brigaram. Hoje se conversam, mas somente o necessário. Festas nem pensar! Acho que esse irmão que não quis criar confusão para a esposa, teve a melhor decisão, principalmente a matriarca! Se ele não quer se juntar, deixa ele feliz no canto dele. Melhor para todos! Meu avô materno sempre tentou juntar os filhos, mas as concunhadas com ciumes uma da outra só criaram mais confusão, resultado: os dois filhos homens não se conversam, minha tia já falecida e sobrou minha mãe que ficou só na família! Sei lá, é triste não ver irmãos tão juntos, mas se for para o bem de todos, que seja melhor assim! Meu avô morreu triste por não ter feito os irmãos serem amigos. Acho que cada família tem seu jeito de ser feliz, e não adianta forçar a ser igual a outra por que dai dá confusão!

    Beijos

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    1. Não há como consertar tudo. Do meu ponto de vista,as decisões mais sábias sempre caminham na direção de evitar conflitos. E com o tempo se tiver que se resolver, se revolveram. É complicado, mas deixa claro que no final o amor, sempre é a porta para solucionar os problemas. Eu penso dessa maneira.

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