sábado, 12 de janeiro de 2013

Correção dolorida


Sr. Amâncio, pernambucano cabra macho, como se definia. Me contou muitas histórias sobre quanto vivia em Buíque-PE, nordeste brasileiro.  E sobre como seus pais mantinham na linha seus onze irmãos e irmãs. Hoje já não se encontra entre nós, pois partir desde mundo em 26/05/2008. Depois de um dia inteiro de trabalho, chegou em casa cansado e seu coração não aguentou o ritmo que ele queria impor a si mesmo.
Uma das histórias que mais me contava é que nunca me esqueço, foi sobre uma desobediência de um de seus irmãos a mãe dele. Nunca o vi espancando nenhum de seus filhos, nem mesmo esse que vos escreve. Até hoje, não posso confirmar se ele contava essa história para nos amedrontar ou se ela de fato aconteceu. E fica mais difícil confirmar porque não tenho nenhum dos irmãos dele por perto para perguntar.
Segundo Sr. Amâncio a correção ao seu irmão mais velho se deu da seguinte maneira: Sua mãe pediu ao irmão mais velho pra ajudar na casa e chamou-o para fazer algo dentro de casa. Segundo, Sr. Amâncio, ele respondeu de maneira malcriada a ela. A malcriação foi tão grande que os outros irmãos ficaram calados, pois naquela época o irmão mais velho era respeitado pelos mais novos e não era questionada a autoridade de forma alguma. Sua mãe ficou aborrecida e foi falar com ele. Ele saiu resmungando e fico o dia inteiro fora.
Quando Sr. Manoel, pai de Amâncio, chegou em casa. Dona Antônia, foi levar a queixa. Contou o acontecido e saiu pro quarto.
Sr. Manuel, de baixa estatura, saiu ao quintal e chamou todos os filhos e disse: - Vão atrás de seu irmão mais velho e o tragam aqui! Tragam a pulso e amarrem naquele troco de árvore. Me chamem quando chegarem com ele. Não voltem pra casa sem encontrar aquele safado! Tenho um assunto a tratar com ele.
Conta que saíram pela cidade de Buíque-PE e o encontram e o arrastaram para casa. E conforme, o pai havia pedido: Foi amarrado no tronco. E chamaram o pai, Sr. Manoel.
Quando Sr. Manoel chegou, pegou um chicote de açoitar cavalos e foi ter com ele. Disse: Você vai apanhar para aprender duas coisas: 1º Nunca desobedecer a sua mãe e 2º Pra aprender a ser homem e não fugir de suas responsabilidades. Seu cabrunco, safado, sem vergonha!
E bateu nele, tanto que os irmãos e irmãs ficaram com tamanha dó, que chamaram a mãe pra pedir misericórdia pelo irmão. O pai continuou batendo até que as costas ficaram em carne viva. E quando isso aconteceu... Que o pai viu o sangue disse: - Vá a cozinha e me traga o sal.
Com o coração em pedaços e lágrimas no rosto foi até a cozinha, Sr. Amâncio, pegar o sal conforme havia mandado o pai.
E Sr. Manoel jogou um quilo de sal nas costas do irmão mais velho que de tamanha dor, gritou. Ali, Sr. Manoel, chamou a todos e disse: - O recado esta dado.
Depois disso, conta Sr. Amâncio, que Dona Antônia, iniciava o chamado de qualquer um na casa e mal terminava o indagado esta na frente dela.
Nunca mais ouve desobediência na casa até o dia em que Dona Antônia o enviou para São Paulo, para ganhar a vida.
Parece um das histórias de cordel do cangaceiro Lampião, que tem a haver com malcriação e chama “Lampião e o quilo de sal”. O qual, Sr. Amâncio sempre lembrava. E por esse motivo que a história não pode ser confirmada e me parece mais uma paródia que nos amedrontava.
Bom... Vou ficar por aqui...
Muito Obrigado por ler Meu Blog e até me próximo texto!
Fique a vontade para deixar seu comentário.

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