segunda-feira, 5 de abril de 2010

Simplesmente Meu Pai, Sr. Amâncio.

Meu Pai nasceu em Buique, uma cidade do Estado de Pernanbuco. Quiz o destino que esta também fosse a cidade da minha ex-sogra, ambos já falecidos.

Contava Meu Pai que sempre vinha a São Paulo fazer juntamente com meu avô e outros tios, o arrendamento de fazendas para fazer o plantio de algodão.

Quando terminava a safra, faziam o pagamento do arrendamento e voltavam para Pernambuco e assim viviam. Contava também que a vida era sacrificada, mas sempre valia a pena. Meu avô voltava para Pernambuco e lá comprava e fartava em grande quantidade as coisas para todos. Sempre voltavam felizes para casa.

Numa destas vindas a São Paulo, Meu Pai contou que ouve uma grande praga de gafanhos na plantação de algodão do vizinho. Neste mesmo dia chovia muito e meu avô deu ordem para que Meu Pai e os meus tios fossem combater a praga, caso contrário, se perderia todo o trabalho feito. Entraram no galpão e pegaram as bombas com veneno para matar os gafanhos. Eram daquelas bombas que prendiam nas costas e tinha uma alavanca ao lado, com uma mão direcionava o spray e com a outra fazia o bombeamento.  E sairam cobrindo a plantação com veneno. Como chovia e tudo ficou uma nuvem só, a ponto de não saber o que era chuva e o que era veneno, contava Meu Pai que um dos meus tios inalou muito veneno.

Quando foram guardar as bombas, pediu meu avô a todos que tomassem leite para cortar o veneno, mas este meu tio estava muito cansado e não quis tomar. Decidiu ficar descançando um pouco. Contou Meu Pai que ao voltar pro galpão viu que meu tio estava passando mal, chamou meu avô e quando ele chegou infelizmente já era tarde, vindo a falecer nos braços de Meu Pai.

Ficaram muito triste, largaram tudo e voltaram para Pernambuco sem nada e sem o tio, que enterraram em São Paulo mesmo. 

Contava Meu Pai que ao chegar em Pernambuco, ele não queria mais ficar por lá e meu avô não queria mais voltar a São Paulo, ambos pelo mesmo sentimento de falta do meu tio falecido. Meu Pai decidiu conversar com minnha avó que deu apoio a ele disse para voltar então para São Paulo.

Subiu Meu Pai em um caminhão pau-de-arara e veio para São Paulo.

Chegando aqui foi trabalhar na construção civil.

Este era o destino certo de quem vinha do norte-nordeste para São Paulo naquela época: Trabalhar na construção civil. Por esta época Meu Pai tinha 18 anos, segundo ele mesmo, então o ano era 1958.

Nunca tive a oportunidade de conhecer, nenhum dos parentes de meu pai para saber a versão deles dessas historia. Meu Pai sempre foi muito orgulhoso e acreditava que por ter vindo a São Paulo, sozinho deveria voltar para Pernambuco com muito dinheiro para que seus parente tivessem orgulho dele. Infelizmente Meu Pai faleceu e não conseguiu realizar este sonho, mas realizou muitos outros. Teve três filhos e viveu pra ver seus netos.





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